CONSCIOUS FASHION

Moda | Conscious Fashion Series: Preço/Qualidade

Há duas semanas publiquei a minha primeira wishlist no blog, onde partilhei algumas peças que adoraria comprar, maioritariamente de marcas portuguesas. No entanto, confesso que, depois de partilhar o post, me apercebi de que muitas das minhas escolhas estavam bem acima do comum acessível, do que o meu próprio círculo de amigas(os) poderia comprar. Penso que, ainda que sem querer, possa ter contribuído para o estigma de que comprar made in Portugal é muito mais caro do que comprar nas marcas fast fashion – e senti-me na obrigação de dizer algo sobre isso numas stories no meu instagram, que ainda encontram nos destaques de slow fashion. Nessa linha de pensamento, decidi escrever algumas ideias sobre a famosa relação preço/qualidade.

No início deste semestre de aulas de mestrado, numa cadeira no âmbito do comportamento do consumidor, surgiu uma conversa sobre o preço enquanto indicador de qualidade, que me remeteu logo para a área da moda. Esta ideia define-se, resumidamente, em demonstrar e comprovar qualidade através dos preços marcados – quanto maior o preço, maior a qualidade. Não precisamos de procurar muito longe: consideremos o grupo Inditex. Uma grande parte das pessoas que conheço considera a Zara uma das marcas de melhor qualidade do grupo, em comparação com a Bershka ou a Pull&Bear. No entanto, se a Massimo Dutti ou a Uterqüe entrarem na equação, a Zara quase automaticamente desce para uma posição inferior. Pelo corte das peças? Pela composição dos tecidos e materiais? Pelo preço? De certa forma, enquanto consumidoras(es), frequentemente assumimos a qualidade de determinada marca pelos preços que esta pratica, independentemente de se conhecer qualquer atributo das peças – e, por vezes, sem sequer alguma vez entrar na respetiva loja. Quanto do preço representa a nossa ideia em relação à marca?

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MODA

Moda | Wishlist #1

Sempre gostei de ver wishlists – tanto as das minhas bloggers preferidas, como as das revistas de moda. Entretanto caiu em desuso, mas continuo a gostar muito. Por isso, decidi partilhar a minha wishlist de momento. Estive mais de seis meses sem comprar roupa, sapatos, acessórios, o que aconteceu por mero acaso, sem qualquer propósito específico, sem sequer pensar sobre o assunto. As minhas últimas compras foram em novembro, durante a minha viagem a Nova Iorque (como não poderia deixar de ser!). Entretanto não precisei de comprar mais nada, nem para o inverno, que não foi muito rigoroso, nem para a primavera, em que reinaram as roupas de andar por casa. Com a chegada da nova estação – e da liberdade para, aos poucos, regressarmos ao normal – comecei a procurar algumas peças novas para o meu verão.

Quando me apercebi de que não fazia compras há mais de seis meses, pensei que esta seria uma excelente oportunidade para mudar algumas das minhas escolhas em relação a marcas no campo da moda. Há mais de dois anos, partilhei alguns princípios para um consumo consciente e, na altura, confessei que sentia alguma dificuldade em encontrar um equilíbrio entre o meu gosto, o meu poder de compra e as marcas disponíveis que cumprissem o princípio da slow fashion. Sempre soube que descobriria esse equilíbrio – e tenho o maior orgulho em dizer que, finalmente, me encontro numa posição em que deixei de contribuir para o consumo preso às regras da fast fashion. Esta mudança não significa que, daqui em diante, não me volte a deslocar a um shopping – acima de tudo, simboliza uma nova fase no meu caminho na moda, em que passo a consumir de maneira (ainda) mais consciente. Para comemorar, desenhei a minha primeira wishlist, composta maioritariamente por marcas portuguesas. Existem duas exceções: os loafers da Gucci, que estão há demasiado tempo debaixo de olho para não incluir nesta lista, e as peças da marca espanhola MEYME, que me deixaram rendida.

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Moda | OLD is the new NEW

Há uns dias apareceu um anúncio no meu feed de facebook com a frase “old is the new new“. Lembrei-me logo das peças de roupa que as minhas avós guardam nos roupeiros há anos, especialmente os casacos de inverno, que são os mesmos desde que me lembro – a gabardina verde seco da minha avó e o casaco castanho da minha mãe foram as primeiras imagens na minha cabeça. Esta publicidade deixou-me a pensar em como, por mais que escreva sobre fast fashion vs. slow fashion, a escolha mais sustentável será sempre a peça que já temos em casa. Um statement destes confere um status muito interessante a uma marca – a premissa da longa durabilidade como prova de qualidade. Esta ideia, comum nas marcas de luxo, lembra-me das peças de joalheria que passam de geração para geração, como aquelas pulseiras de ouro antigas, que pertenciam à mãe da bisavó, que nem sequer usamos, mas que guardamos para sempre.

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Moda | Conscious Fashion Series: Black Friday

Depois de escrever um post tão sincero como este último que publiquei, seria de esperar que o balanço para a escrita continuasse do meu lado. No entanto, nestes últimos dias encontrei-me sem qualquer inspiração. Tenho imensas ideias em mente e, ainda assim, não consegui escrever uma frase para nenhuma delas. Entretanto, encontrei uns pensamentos meio perdidos nas notas do computador, escritos na altura da Black Friday do ano passado. Pensei: haverá melhor altura para os partilhar convosco?

Já vos contei a minha história com o consumismo e como construí a minha ideologia para ser uma consumidora mais responsável. Na verdade, há uns anos, a frase “shopping is my cardio” estava no topo das minhas favoritas e, apesar de não me recordar de nenhuma Black Friday nessa altura, lembro-me de que se encontravam autênticos “achados” nas épocas de saldos. Por isso, não consigo ficar indiferente ao puro consumismo que resulta destes dias de descontos incredíveis. Bem sei que muitas pessoas se refugiam nas compras para preencher alguns vazios nas suas vidas; ainda assim, garanto-vos que o consumismo não é, nem será, a solução para qualquer mal. Deixo-vos três princípios que uso para quando vou fazer as minhas compras, que considero essenciais para resistir à “pressão” dos descontos:

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Moda | Conscious Fashion Series: Slow Fashion

No final do último post, em que dei início à nova série Conscious Fashion Series, deixei-vos uma questão: qual pode ser a alternativa a um modelo de moda que prima pelo desenvolvimento de problemas no âmbito social, económico e ambiental? Venho responder, ao escrever sobre Slow Fashion – a alternativa sustentável no mundo da moda.

O conceito de Slow Fashion apareceu no início do novo século, alguns anos após as marcas começarem a aderir à Fast Fashion. Ao contrário desta última, a slow fashion preza-se pelo equilíbrio entre a moda, a sociedade e o ambiente, fundamentando-se em valores como a responsabilidade e a transparência. A slow fashion pauta-se pelo respeito pela moda como uma forma de expressão artística, pela aposta na produção de qualidade, pela consciencialização acerca do grande problema que é o consumismo e pela sustentabilidade social e ecológica na elaboração das peças.

Contrariamente à fast fashion, na qual as marcas caem no erro de apresentarem peças praticamente iguais às concorrentes, a slow fashion valoriza a diversidade e a identidade de cada marca, bem como o sentido de originalidade de quem desenha. Paralelamente, preza-se também o valor das peças – qual o nome por detrás do design, qual a história por detrás da coleção, qual a razão pela combinação de tecidos e materiais. Este valor associado a uma peça de roupa torna-a menos substituível e descartável – para mim, como exemplo, há um valor inigualável numa peça feita especialmente à mão, pelo tempo e pela dedicação de quem a fez, conferindo um caráter de humanidade e de unicidade que não sinto no fabrico industrial.

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CONSCIOUS FASHION

Moda | Conscious Fashion Series: Fast Fashion

Começa agora uma nova série de posts no blog Conscious Fashion Series (nota-se que tenho o meu sentido de originalidade bastante apurado para nomes, não é?). Neste conjunto de artigos, escreverei sobre moda consciente e responsável, introduzindo alguns conceitos sobre este tema. Estou mesmo contente por partilhar convosco uma perspetiva que não é tão apresentada nos blogs de moda e, com esperança, deixar-vos a pensar sobre o impacto do consumismo na sociedade e no ambiente.

Fast Fashion pode definir-se como um modelo de produção e consumo de moda, que surgiu nos anos 90. Consiste na produção de roupas e acessórios fabricados, distribuídos, consumidos e desvalorizados de forma bastante rápida, o que origina diversos problemas ao nível social, económico e ambiental. Apesar de cada vez mais se dialogar sobre as condições de trabalho na produção de moda, a par do impacto desta indústria no nosso planeta, há ainda que percorrer um longo caminho para que se ganhe verdadeira consciência sobre este assunto.

Como se desenvolve a fast fashion? As peças são elaboradas de acordo com reproduções dos designs das grandes marcas internacionais, com uma qualidade bastante inferior. Estes designs são copiados dos desfiles das semanas da moda, movendo-se rapidamente para as lojas. As marcas que aderem à fast fashion são constantemente processadas juridicamente pelas peças que apresentam em coleções que não são originais. As roupas mais vendidas são produzidas em maior quantidade, de acordo com os gostos das(os) consumidoras(es), o que coloca o poder nas mãos de quem compra. Por isso, cada vez mais as marcas perdem identidade, apresentando coleções muito semelhantes às concorrentes, com peças que, por vezes, são mesmo iguais. A noção de sazonalidade das coleções outono/inverno e primavera/verão tem vindo também a perder-se, pelas peças que são expostas durante várias estações consecutivas.

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